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Cuidado ao Idoso: confiança e empatia para enfrentar o caos

No mundo volátil, complexo, ambíguo e cheio de incertezas em que vivemos, a retomada dos vínculos entre pacientes e profissionais de saúde torna-se ferramenta para aprimorar o cuidado ao idoso

Há 45 anos, no curso de Medicina, Paulo Marcos Senra Souza aprendeu a lição mais importante em sua longa carreira na saúde. “Eu tinha um professor que dizia que o próprio paciente nos dava o diagnóstico. Bastava que nós oferecêssemos o ouvido para que ele contasse sua história. Só precisávamos gastar um tempinho olhando no olho, pondo a mão no seu ombro. Aprendi que, se você tiver empatia, o paciente te mostra a alma.”

O ensinamento continua atual é especialmente útil no “mundo VUCA”. O termo, baseado nas teorias de liderança de Warren Bennis e Burt Nanus, busca sintetizar a volatilidade, incerteza, complexidade e ambiguidade dos nossos tempos. 

No setor de saúde, a tendência impacta especialmente o cuidado ao idoso. Paulo Marcos, que co-fundou a Amil e juntou-se a diversas iniciativas para repensar a saúde, como a Aliança para Saúde Populacional (Asap) e o Instituto Latino-Americano de Gestão em Saúde (Inlags), percebe a crise de confiança causada pelo individualismo e excesso de informação.

Vivemos em condomínios, não temos mais médicos de referência e isso nos deixa sem vínculos. Além disso,  recebemos informações de todos os lados, sem filtros, e, numa população que não cresceu acostumada à internet, isso prejudica o autocuidado.

Hoje sócio e advisor da Laços Saúde, o médico acredita no “papel missionário da enfermagem” para criar empatia, formar laços na comunidade e empoderar o paciente para o autocuidado. “Precisamos passar da atenção à doença para a orientação para a saúde e nem sempre a prática clínica consegue isso. É a enfermeira que vai observar os hábitos do paciente, ajudar a reconhecer e tomar corretamente os remédios, olhar a alimentação e mantê-lo, principalmente o idoso, ocupado e com mente ativa.”

Novas demandas, novos modelos

Com a população envelhecendo, cuidados hiperfragmentados e idosos solitários, a Europa desenvolveu projetos para criar relações de confiança entre os cuidadores e pacientes e evitar que o idoso seja excluído da sociedade. A Espanha e a França investiram em consultores para visitar o idoso em casa e promover atividades recreativas, como forma de criar um elo de proteção e evitar emergências. 

Na Holanda, o modelo buurtzorg otimizou o cuidado ao empregar enfermeiras polivalentes que atuam em uma determinada comunidade e atendem o paciente em casa, favorecendo a autonomia do idoso. “É parecido com o que fazem os agentes comunitários de saúde, que se tornam a porta de entrada para o SUS e daí, caso seja necessário, o cuidado pode ser derivado para o hospital ou o médico especialista.”

Essa reorganização do sistema ajuda também a fidelizar o paciente ao médico e evita idas recorrentes ao pronto-socorro, frequentemente atreladas à indisponibilidade do médico de referência e à falta de uma visão holística do paciente. “É uma forma de restabelecer a relação médico-paciente, que se perdeu. O que falta nesse modelo é um vínculo maior do agente comunitário com o paciente e com o local em que atua, que existe no modelo buurtzorg. Em Copacabana, por exemplo, um bairro que concentra muitos idosos no Rio de Janeiro, temos enfermeira da Laços Saúde que moram perto, entendem a região e ajudam a identificar a rede informal de cuidados, que inclui porteiros, vizinhos e empregadas domésticas.”

A tecnologia, tantas vezes culpada pelo isolamento das pessoas e propagação de informações enganosas em saúde, também foi empregada para estimular as relações sociais. A Laços Saúde formou grupos de WhatsApp com pacientes de estilos de vida parecidos para criar novos vínculos informais. “Isso é parte do processo terapêutico e, nesse período de pandemia, conseguimos promover a integração entre as pessoas mesmo à distância.”

A pandemia, na avaliação de Paulo Marcos, está forçando também a mudança de mentalidade do paciente com relação à qualidade da saúde suplementar.

Os clientes vão começar a procurar planos de saúde que cuidem deles, não que ofereçam o livro mais grosso com a rede referenciada. As pessoas ficaram com medo de ir ao hospital e querem ser cuidadas em casa, serem orientadas, para não precisar de internação. A alta renda agora busca esse diferencial.

Uma nova forma de pensar e utilizar os recursos de saúde, impulsionada pelo coronavírus, e a evolução da tecnologia médica com foco no aumento da qualidade e expectativa de vida se tornam ferramentas para mudar o paradigma assistencial. “É como dizia o Dr. Adib Jatene. Nada começa pronto. Estamos construindo um futuro”, conclui.

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