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Protagonistas do futuro da saúde

Demandas populacionais e epidemiológicas exigem que profissionais de enfermagem assumam um novo papel, com mais responsabilidades, visão holística do paciente e da profissão e capacidade de coordenar a assistência

Com paramentação pesada, sujeitos a longas horas de trabalho e convivendo com o medo de contaminação e a frustração por não poder fazer mais pelos pacientes em hospitais superlotados, os profissionais de enfermagem foram (e continuam sendo) os protagonistas do combate à Covid-19. Receberam aplausos nas janelas e voltaram a ser citados como peças-chave na atenção primária e coordenação do cuidado, já que, além de terem mais interação com o paciente, representam 50% de toda a força de trabalho em saúde globalmente, com 27 milhões de homens e mulheres.

Porém, para atingir os Objetivos do Milênio estabelecidos pela ONU (Organização das Nações Unidas) em promoção da saúde, prevenção de doenças e atenção primária universal, o mundo precisará de mais 9 milhões de profissionais até 2030, sendo 1,8 milhão somente nas Américas, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS). Como, então, tornar a profissão novamente atrativa para os entrantes no mercado de trabalho? 

A resposta parece estar na reivindicação do espaço da enfermagem na reorganização dos sistemas de saúde, com mais foco no paciente e na coordenação do cuidado.

“Na última década, a enfermagem conquistou marcos importantes e vem buscando reconhecimento e reposicionamento no sistema de saúde. Porém, aqui no Brasil, acabamos nos dedicando muito à economia, às questões burocráticas do dia a dia da assistência, e ficamos distantes do paciente. É hora de repensar os modelos de cuidado e suas entregas, para que as pessoas queiram, novamente, ser enfermeiras assistenciais”, avalia a diretora técnica do Grupo Laços, Iohana Salla.

Com mais de 15 anos dedicados à profissão, em funções administrativas e também na linha de frente em diversas instituições de saúde, Iohana é, desde 2019, coach para a implantação do método buurtzorg no Brasil. O modelo assistencial reorganizou os serviços de saúde na Holanda, ao inserir a casa como ponto de cuidado, estimular a independência do paciente e posicionar o enfermeiro como protagonista e coordenador da assistência.  

“Quando trouxemos o modelo da Holanda e focamos em desburocratização da assistência, autonomia do enfermeiro e um novo modelo assistencial, automaticamente, o colocamos onde sempre deveria estar: articulando a rede de cuidados do paciente”, explica. 

Para Iohana, a mensagem principal nesta Semana da Enfermagem é sobre a necessidade de resgatar a profissão.

“Nossa função principal é a de cuidar. Precisamos estar onde o paciente está e pensar sobre nosso papel no processo do cuidado. Temos a oportunidade de fazer diferente, mas isso vem com a necessidade de formar enfermeiros mais hábeis, engajados, questionadores e preparados para coordenar a  assistência.”

A missão não é simples, mas é essencial para garantir saúde universal com bom custo-efetividade. “Alcançar a meta de saúde para todos dependerá de haver um número suficiente de profissionais de enfermagem bem treinados e educados, regulamentados e bem apoiados, que recebam remuneração e reconhecimento compatíveis com os serviços e a qualidade dos cuidados que prestam”, posiciona a OMS. Com o apoio da Comissão de Alto Nível sobre Empregos em Saúde e Crescimento Econômico da ONU, a organização concluiu que os investimentos em educação e criação de empregos nos setores social e de saúde resultam em um retorno triplo de melhores resultados de saúde, segurança global em saúde e crescimento econômico inclusivo.

Aos profissionais de enfermagem, caberá compreender que seu impacto ultrapassa as fronteiras do sistema de saúde e demanda mais do que conhecimento técnico. “É necessário nos atentarmos para as várias frentes do processo assistencial. Assim como Florence Nightingale, voltar a praticar o cuidado baseado em evidências científicas e indicadores, mas também olhar para a economia da saúde e trabalhar mais em colaboração com outros profissionais da equipe multidisciplinar. Da mesma forma que propomos uma visão holística do paciente, devemos considerar todas as dimensões que compõem a saúde”, finaliza Iohana.

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